ABSENTEÍSMO NA SAÚDE: Mirandópolis expõe gargalo que sufoca prefeituras e amplia filas regionais no SUS

MIRANDÓPOLIS — O desperdício de recursos públicos e o alongamento das filas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) ganharam contornos alarmantes na região. Um levantamento do Departamento Municipal de Saúde de Mirandópolis, apresentado na Audiência Pública de Prestação de Contas do Primeiro Quadrimestre de 2026, acendeu o alerta ao registrar 8.370 faltas em consultas, exames e procedimentos entre 1º de janeiro e 30 de abril.

O cenário reflete um desafio crônico enfrentado por gestores de toda a região: o impacto do não comparecimento de pacientes no ritmo e na eficiência dos serviços municipais e regionais.

Os números da gestão do prefeito Grampola Pantaleão escancaram como o absenteísmo paralisa diferentes frentes de atendimento. A liderança isolada de ausências ficou com o setor de Fisioterapia, que acumulou 3.966 faltas no período. Logo em seguida aparecem o Núcleo de Especialidades (NES), com 1.367 ausências, e o setor de Regulação, com 640 faltas registradas em encaminhamentos especializados.

O desfalque no atendimento básico também foi pulverizado por todas as unidades de Saúde da cidade e distritos:

  • UBS Francisco Theotonio Pardo: 692 faltas
  • UBS Yoshito Kanzawa: 552 faltas
  • UBS Rubens Figueiredo Conrado: 508 faltas
  • UBS Jorge Maluly Neto: 379 faltas
  • UBS Nelson Yurasseck (Amandaba): 194 faltas
  • UBS Mario Covas (1ª, 2ª e 3ª Alianças): 72 faltas

A evasão comprometeu diretamente o acompanhamento contínuo e multiprofissional, afetando consultas em Psicologia (533 faltas), Fonoaudiologia (293) e Nutrição (150), além de desfalcar a agenda de especialidades médicas cruciais como Neurologia, Psiquiatria, Oftalmologia, Ortopedia, Cardiologia e Terapia Ocupacional.

O GARGALO QUE TRANSBORDA PARA A REDE REGIONAL

O problema, contudo, desborda as fronteiras municipais. Quando o paciente falta a uma consulta pactuada fora de seu município, a vaga perdida trava o fluxo da rede regional pactuada e afeta indicadores de cidades vizinhas. No mesmo quadrimestre, Mirandópolis contabilizou faltas em centros de referência de toda a região, incluindo:

  • AME de Andradina: 377 ausências
  • HEM: 237 ausências
  • Registros de não comparecimento na Santa Casa de Araçatuba, no AME de Araçatuba e na Santa Casa de Andradina.

Para a diretora do Departamento Municipal de Saúde de Mirandópolis, Anna Carolina Ferreira Leite Bornelli, a conscientização dos usuários é a principal ferramenta para estancar o prejuízo coletivo.

Sabemos que imprevistos acontecem e que nem sempre é possível comparecer à consulta. Porém, quando o paciente avisa a unidade com antecedência, essa vaga pode ser destinada a outra pessoa que aguarda atendimento. Com a colaboração de todos, conseguimos utilizar melhor os recursos disponíveis e oferecer um serviço cada vez mais eficiente à população.

Diante do raio-x revelado no primeiro quadrimestre, a orientação da administração pública reforça o apelo que reverbera por toda a rede pública de saúde regional: ao não poder comparecer, o usuário deve avisar a unidade com antecedência para desmarcar ou reagendar!

Trata-se de um gesto simples de responsabilidade individual que devolve a oportunidade de diagnóstico ou tratamento a quem continua na fila.

(Marco Apolinário/JPN, com informações da AsCom/Governo de Mirandópolis)