Enquanto Requerimento nº 089/2026 cobra ampliação de frota e novas regras para munícipes e condomínios, dados da Secretaria de Obras revelam que a verdadeira trava do sistema está na logística de transporte e no custo dos caminhões poliguindastes
CASTILHO — O serviço de recolhimento de entulhos e resíduos sólidos volta a ocupar o centro dos debates políticos em Castilho. Por meio do Requerimento nº 089/2026, aprovado na Câmara Municipal, o vereador Daniel Batista de Oliveira voltou a encabeçar uma das cobranças mais recorrentes do legislativo local: a necessidade de aquisição de novas caçambas estacionárias e a flexibilização das regras de atendimento à população.
No documento endereçado ao prefeito Paulo Boaventura, o parlamentar questiona se existem processos licitatórios ou planejamento orçamentário em andamento para a compra dos novos recipientes. Além disso, propõe duas mudanças operacionais significativas: a disponibilização do serviço para atender demandas internas de condomínios residenciais do município e a extensão do prazo de permanência das caçambas com os moradores de dois para, pelo menos, três dias úteis.
A JUSTIFICATIVA DO LEGISLATIVO
Na avaliação de Daniel Batista de Oliveira, a insuficiência de caçambas nas ruas tem impactos diretos no cotidiano e no aspecto da cidade. O parlamentar argumenta que a demora no atendimento empurra os moradores para o descarte irregular de resíduos de pequenas reformas e limpezas domésticas.
“A falta de caçambas adequadas e em número suficiente tem gerado o descarte irregular de resíduos em calçadas e terrenos baldios, afetando a saúde pública e a estética urbana. Além disso, os condomínios residenciais enfrentam dificuldades na gestão de seus resíduos e o prazo atual de uso é curto para a conclusão dos serviços. A ampliação da frota, o suporte aos condomínios e a extensão do prazo de uso garantirão uma cidade mais limpa, organizada e justa para todos.”, afirmou Daniel em trecho da Justificativa apresentada no Requerimento.
O RAIO-X DO SERVIÇO: De onde viemos e onde estamos
Para compreender o impasse atual, é preciso analisar o histórico recente do setor. Em meados de 2025, respaldada pela Lei Municipal nº 3.469/2025, a Prefeitura de Castilho realizou um aporte de R$ 150.000,00 para adquirir 30 novas caçambas estacionárias de 3,0 m³. A medida emergencial buscou socorrer a Secretaria Municipal de Obras e Logradouros, que até então operava no limite extremo com apenas 23 unidades urbanas, registrando filas de espera que chegavam a alarmantes 15 dias.
Com a chegada do novo lote, a capacidade estrutural de armazenamento mais do que dobrou, saltando para 53 caçambas no total. No entanto, o diagnóstico técnico apresentado pela própria Secretaria de Obras em março de 2026 — em resposta ao Requerimento nº 016/2026, do vereador Tião Japonês — mostrou que a dinâmica do problema mudou de figura:
O VERDADEIRO GARGALO: A logística e o alto custo do caminhão
Conforme demonstrou o levantamento técnico do Executivo, o problema central do “Disk Caçambas” deixou de ser a quantidade de recipientes e passou a ser o custo logístico de transporte e a manutenção dos caminhões poliguindastes. Cada atendimento individual prestado ao munícipe exige um ciclo operacional complexo dividido em quatro etapas obrigatórias:
- Entrega: Deslocamento do caminhão da garagem até o endereço solicitado para posicionar a caçamba vazia.
- Recolhimento: Retorno do veículo ao local após o período estipulado para içar a caçamba cheia.
- Transporte: Deslocamento do caminhão carregado até o ponto final de descarte licenciado.
- Transbordo: Esvaziamento e limpeza do equipamento para disponibilizá-lo para um novo ciclo.
Se a Prefeitura atender ao pedido de aumentar a permanência das caçambas de dois para três dias ou passar a atender áreas internas de condomínios residenciais, haverá uma retenção maior do equipamento no local e um aumento severo nas rodagens. Para absorver essa nova demanda sem criar filas ainda maiores, a administração precisaria obrigatoriamente adquirir um novo caminhão poliguindaste 0 km.
É justamente nessa conta que o planejamento financeiro esbarra: no mercado atual, um veículo poliguindaste novo está cotado entre R$ 480.000,00 e R$ 650.000,00. Trata-se de um valor até quatro vezes superior a todo o montante investido no ano anterior para comprar as 30 caçambas novas.
EQUILÍBRIO ENTRE DEMANDA POPULAR E VIABILIDADE ORÇAMENTÁRIA
O Requerimento nº 089/2026 coloca em evidência o desafio permanente da gestão pública local: equilibrar as cobranças legítimas da comunidade por serviços mais ágeis e flexíveis com as limitações orçamentárias do município. Embora o pedido do vereador Daniel Batista encontre eco nas necessidades imediatas dos munícipes e síndicos, a resposta da Prefeitura deverá levar em consideração se o município possui margem fiscal para realizar um investimento de meio milhão de reais em frota pesada ou se a prioridade será otimizar a escala de trabalho dos veículos já existentes.
(Marco Apolinário/JPN)