ALÔ MINC: O Cinema do Interior Pede Passagem ao “Tela Brasil”

ILHA SOLTEIRA — Se a viabilidade técnica e financeira do Tela Brasil ainda gera debates, quem está no “set” de filmagem regional enxerga a novidade com o otimismo de quem conhece o valor de uma boa história. É o caso da cineasta Edilene Spitaletti, nome conhecido no cenário audiovisual de Castilho, Ilha Solteira, Itapura e Três Lagoas.

Com mais de 16 obras no currículo e experiência de sobra com leis de fomento como ProAc e as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, ela aponta que iniciativas assim ajudam a consolidar a descentralização da tela.

Ver o potencial brasileiro em grandes festivais e prêmios na área cinematográfica enche os olhos dos grandes aos pequenos produtores, e as leis de incentivo são possibilidades de consolidar o cinema interiorano. É importante entender que essa arte é possível, e as cidades descentralizadas têm muita história para contar em frames”, destaca a cineasta ao JPN.

A provocação que fica para o Tela Brasil é justamente como absorver essa demanda pulsante. Um exemplo claro dessa riqueza temática é o próximo projeto de Spitaletti, o curta “A lenda da barragem. O filme pretende usar o folclore e a história da Usina de Ilha Solteira para debater segregação social e regionalismo — o tipo exato de narrativa com identidade forte que o público raramente encontra nos canais da TV aberta tradicional.

MUITO ALÉM DA TELA: A Formação de Público

No entanto, para que o impacto do novo canal seja real e duradouro no Noroeste Paulista e regiões vizinhas, a engrenagem precisa girar por completo. Não basta apenas produzir; é preciso garantir que o espectador final se reconheça na obra e consuma o cinema nacional.

Spitaletti, que também atua na formação audiovisual de crianças a idosos, reforça que o papel de vitrines como o Tela Brasil vai muito além do entretenimento técnico:

O cinema precisa, para além dos produtores, de público para acompanhar, discutir e atualizar as questões que a arte proporciona. Ações como o ‘Tela Brasil’ proporcionam ao público a experiência de conhecer mais sobre o cinema brasileiro”, opina a cineasta.

Ao aproximar o cinema independente do cidadão comum, o canal pode funcionar como o elo que faltava para transformar o potencial criativo do interior em um mercado consumidor sólido, crítico e, acima de tudo, orgulhoso de sua própria identidade.

PRESTIGIANDO O CINEMA LOCAL:

Boa parte da filmografia de Edilene Spitaletti — incluindo obras como os documentários Espectro e Aquele dos 40, além do curta de ficção Degradê e o recente suspense Psico — está disponível gratuitamente no YouTube, no canal @dispitaletti.

(Marco Apolinário/JPN. Fotos cedidas pela entrevistada e produzidas com auxílio de IA)