CASOS DE DENGUE SOBEM PARA 96 em Castilho e recusa de moradores à nebulização acende alerta na Saúde

Secretário Demilson Cordeiro aponta que casas trancadas e resistência à aplicação de inseticida anulam esforço coletivo e põem vizinhanças inteiras em risco

CASTILHO – O avanço rápido e silencioso da dengue no município de Castilho atingiu a preocupante marca de 96 casos confirmados. O número, embora alarmante, esconde uma realidade ainda mais grave enfrentada pelas equipes de Vigilância em Saúde: a negligência e o negacionismo de parte da população, que têm se transformado em barreiras praticamente intransponíveis para a contenção do mosquito Aedes aegypti.

A escalada dos dados epidemiológicos nas últimas semanas revela a velocidade da transmissão no município. O sinal de alerta foi disparado pela Secretaria Municipal de Saúde ainda na primeira quinzena do mês passado, quando os dados coletados até 14 de maio contabilizaram 41 casos positivos de dengue. Apenas uma semana depois, em 21 de maio, o registro já havia sofrido um salto expressivo, subindo para 53 casos confirmados — um prenúncio do atual cenário que agora atinge 96 munícipes infectados.

De acordo com relatos do secretário municipal de Saúde, Demilson Cordeiro, as ações de combate nas ruas têm esbarrado sistematicamente em dois grandes obstáculos: o alto índice de imóveis trancados e, principalmente, a recusa deliberada de moradores em permitir a entrada dos agentes para a aplicação da nebulização — popularmente conhecida como “veneno”.

O PERIGO MORA AO LADO

A recusa individual tem gerado indignação nas autoridades de saúde pelo efeito dominó que causa na comunidade. Tecnicamente, o bloqueio contra a dengue só é eficaz quando realizado de forma perimetral e contínua.

Quando um morador diz ‘NÃO’ à nebulização, ele quebra o cerco sanitário e invalida o esforço de todo o quarteirão”, enfatiza Demilson. “A verdade é uma só: o seu ‘NÃO’ para a aplicação do veneno anula o esforço e o ‘SIM’ do seu vizinho”, conclui o secretário.

O entendimento das autoridades é claro: o mosquito que encontra um criadouro seguro em um quintal negligenciado não ficará restrito àquela propriedade. Ele voará e infectará as famílias das casas adjacentes. A recusa em cooperar, portanto, deixa de ser um direito de escolha individual e passa a ser tratada como um ato de irresponsabilidade coletiva que coloca vidas em risco.

APELO À CONSCIENTIZAÇÃO

A Prefeitura e a Secretaria de Saúde de Castilho fazem um apelo urgente para que a população reveja posturas negacionistas e colabore com os agentes públicos. A orientação é para que os moradores facilitem o acesso às residências e aceitem os procedimentos de manejo ambiental e aplicação de inseticida.

A batalha contra a epidemia depende de uma postura cívica: abrir as portas para os agentes de saúde não é apenas proteger a própria casa, mas cumprir um dever de proteção com toda a vizinhança.

(Marco Apolinário/JPN)